Cloud computing: gigantes acirram disputa

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Fonte: Tribuna do Norte – Setembro de 2014

A recente compra pela Amazon do serviço de streaming de games Twitch, por 970 milhões de dólares, foi recebida com espanto no mundo dos negócios. Isso porque circulavam rumores de que o YouTube, que pertencente à Google, estava em negociações para adquirir o serviço. Com o Twitch, gamers podem se filmar jogando e transmitir as competições para milhões de usuários em todo o mundo. Em 2013, os usuários do Twitch conectaram-se em média duas horas por dia para assistir batalhas de videogames, e isso poderia significar muitas visualizações para o serviço de links patrocinados da Google, o AdWords.

Entretanto, a compra do Twitch pela Amazon pode sinalizar a intenção da empresa de competir diretamente com a Google na área de receita publicitária. A notícia da compra veio logo após a Amazon ter anunciado a criação de seu próprio negócio de publicidade, o Amazon Sponsored Links (Links Patrocinados Amazon). A intenção é que os anúncios do Twitch não sejam mais veiculados na Google, mas sim no portal da Amazon, segundo o Wall Street Journal – o que poderia ser uma enorme fonte de renda.

DivulgaçãoEm junho, mais de 55 milhões de usuários do Twitch se plugaram para conversar sobre games

Aparentemente, a Amazon também vê o Twitch como um complemento para seus smartphones, tablets e set-top boxes da linha Fire – todos eles rodam jogos móveis. Hoje, os usuários do Twitch já têm na Fire uma plataforma fácil e conveniente para transmitir e assistir jogos, mas, em algum momento, a Amazon pode decidir integrar a tecnologia de streaming do Twitch a seus dispositivos Fire.

O Twitch foi fundado em 2011 com o objetivo de proporcionar a visualização ao vivo de videogames. Em julho último, mais de 55 milhões de usuários se reuniram para assistir, transmitir e conversar sobre videogames através do serviço. Os conteúdos foram fornecidos por jogadores individuais, editores, programadores de jogos e outros.

Os esforços da Amazon para expandir sua influência no mercado de jogos são apenas uma frente em seu campo de batalha contra a rival Google. Outra frente está nos serviços de computação em nuvem ou cloud computing, onde a Amazon está claramente na frente. “O serviço de cloud computing é um mercado em expansão, e a Amazon é um gigante”, afirma Jagdish Rebello, analista do setor de tecnologia do think tank IHS Global Insight. “Tratando-se de fornecer meros serviços de computação em nuvem, a Amazon tem mais expertise.” E a empresa não se contenta com um empate.

A Amazon também saiu na frente ao fornecer serviços costumizados de atendimento ao cliente através de sua plataforma de download de músicas e streaming de vídeos Amazon Prime.

Mas a Google está avançando no mercado de cloud computing, onde a gigante de buscas tem uma capacidade de armazenamento de dados significantemente maior, graças a sua rede global de servidores, onde está alocado o serviço Gmail, a rede social Google+ e outros serviços gratuitos.

Especialistas dizem que a Google continuará tentando dar continuidade a suas incursões no mercado de computação em nuvem por meio da disponibilização gratuita de dados e serviços, enquanto a geração de receita fica por conta da venda de publicidade.

“Publicidade é tudo”, afirma Charles Bartlett, blogueiro de ciência e tecnologia da Califórnia. Para Bertlett, publicidade é a chave para gerar receitas na web. Ele diz que a Google entende melhor do que a maioria que a propaganda online “é muito mais orientada e eficiente do que a publicidade tradicional”.

“Repare ao assistir um vídeo no YouTube que os anúncios correspondem às suas buscas recentes no Google”, afirmou Bartlett.

Por isso, a Amazon começou a publicar somente anúncios da própria empresa em seu site de compras. Rebello diz que, ao usar esse “sistema fechado” em seus serviços de compra online e computação em nuvem, a Amazon está tentando replicar o que a Apple fez quando começou suas atividades. “Controlar todos os elementos em seus serviços melhora a experiência do usuário.”

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