Quem está na nuvem?

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Fonte: Decision Report Julho de 2014

Segundo dados da consultoria IDC, mais de 60% das principais empresas da América Latina estavam se estruturando para implementar o uso da cloud computing em 2013. O estudo também apontou que o crescimento do mercado desse serviço na região será um dos mais elevados em todos os setores de tecnologia, avançando cerca de 67% até o final desse ano, atingindo mais de US$ 1 bilhão. Os números demonstram a importância do cloud computing como uma realidade já vivida pela maioria das empresas nacionais.

“Hoje em dia, é inexorável a caminhada de qualquer departamento de TI para a nuvem”, afirma Fábio Costa, presidente da VMware Brasil, durante o painel “Cloud computing: como gerenciá-lo”, promovido pela TVDecision, que reuniu em São Paulo diversos representantes de setores variados do mercado nacional. Segundo Costa, a computação na nuvem tem um apelo forte, pois surgiu como uma alternativa do departamento de TI de se reposicionar dentro da corporação como um importante motor de inovação.

Modelos

Um dos maiores desafios para quem deseja implementar soluções em cloud computing é identificar qual o modelo mais apropriado para atender as demandas de uma organização. Para isso, o primeiro passo é compreender quais tipos de informações as empresas precisam ter dentro da sua instalação, seja por regras, leis ou outros motivos.

“Dependendo da necessidade do negócio, existe um modelo mais apropriado seja cloud público, privado ou híbrido. No nosso caso, as aplicações que não são tão críticas foram passadas para uma nuvem pública. Em outras situações, onde entendemos que a aplicação não seria tão simples, optamos por uma vertente mista, colocando um servidor adequado à empresa”, exemplifica Marcos Argachoy, IT Infraestucture Manager da Accor.

Na opinião de Mara Regina Maehara, CIO do Grupo Pão de Açúcar, a escolha do tipo de cloud é uma questão estratégica. “É preciso definir o que se coloca na nuvem. A partir daí, questionar se põe num ambiente público ou privado. Se optar pela pública, escolher que tipos de informações serão disponibilizadas (as menos críticas?). E na privada, o que a gente quer manter mais seguro?”, questiona.

Mara afirmou ainda que a decisão da implementação de uma solução em cloud não é mais exclusiva dos departamentos de TI, mas também da área de negócios, que está cada vez mais curiosa sobre o tema, tentando tornar esse processo viável, ágil e sustentável. “É mais que uma cultura de TI. É uma cultura de governança corporativa”, completa.

Gerenciamento

Quem lida com diferentes tipos de cloud, provavelmente, enfrenta um problema em comum: a dificuldade de gerenciá-los devido à falta de padronização entre eles, pois cada modelo tem suas particularidades. “Acho que é fundamentalmente um problema de escala, porque se qualquer organização tivesse à disposição apenas um sistema, ninguém estaria se preocupando com isso. Mas com a quantidade de tecnologias oferecida hoje e a grande variedade de dados que as organizações precisam lidar diariamente, surge a necessidade de criar uma infraestrutura de computação em escala para atender essas demandas”, disse André Andreolli, diretor de engenharia da VMware para a América do Sul.

Além da ferramenta, os especialistas também discutiram as dificuldades de encontrar mão de obra qualificada para administrar essas soluções. “Passamos a desenvolver novas funções, porque toda a estrutura era administrada dentro de casa. Agora, nós temos que nos preocupar como essa informação chega até o cliente final. A gerência passa a ser muito mais ampla e, por isso, precisamos formar profissionais com uma capacidade diferenciada”, explica Marcos Paulo Correa, CIO da Dellavia Pneus. “Arquitetos de solução pra nuvem são diferentes de arquitetos de solução pra hardware”, conclui Mara.

ROI

Outro ponto bastante debatido é a questão do retorno sobre o investimento. Embora todos tenham concordado que as soluções em nuvem são mais vantajosas, muitos mencionaram a dificuldade de mensurar esse impacto.

Na opinião de Fábio Costa, essa quantificação pode ser feita de várias maneiras. “Uma delas é avaliar o número de máquinas virtuais gerenciadas por cada headcount que nós temos e o quanto isso melhorou. Nós também conseguimos medir de forma muito clara o tempo que se levava para colocar uma aplicação numa máquina virtual no ar antes e depois da utilização do cloud”, explicou.

Por se tratar de uma realidade relativamente nova no ambiente corporativo, discutiu-se também a necessidade de clientes e fornecedores estabelecerem contratos e SLAs bem elaborados para evitar contratempos. “Precisamos aprender a ter bons contratos e buscar conhecimento para que a gente consiga discutir com os fornecedores. Temos de ser mais criteriosos”, afirmou Alfredo Leite, diretor de TI do Banco Original.

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