IoT no agronegócio: aplicações, desafios e resultados

  • Compartilhar

 

Para enfrentar o desafio de produzir mais alimentos, de maneira sustentável e com custos menores, o trabalho na agricultura deve ser equipado com ferramentas e técnicas inovadoras, particularmente as tecnologias digitais, é o que afirma a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que define a Internet das Coisas como uma revolução tecnológica, destacando que a plataforma de IoT é um dos pilares para a chamada quarta revolução industrial, que irá se refletir em uma Agricultura 4.0 cada vez mais conectada e remota, passando a contar com comando e controle de desempenho, localização de máquinas, equipamentos, sensores e com a geração e análise de dados de campo em tempo real. Para a Embrapa, todos esses conceitos convergem no sentido de se ter uma Agricultura Digital ou Smart Farming.

Agricultura Digital no Brasil 

Segundo a  chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, Silvia Massruhá, a Agricultura Digital já em uma realidade no Brasil, mas devido à extensão do território brasileiro e à diversidade de produtos e de condições, cada região do país vive uma realidade, em relação ao avanço da Agricultura Digital, que engloba tecnologias já disseminadas, como: agricultura e pecuária de precisão, automação e robótica agrícola, além de técnicas de Big Data e Internet das Coisas.

“A cada dia mais ‘coisas’ (máquinas, cidades, elementos de infraestrutura, veículos e residências) se conectam à internet para informar sua situação, receber instruções e até mesmo praticar ações com base nas informações recebidas. A possibilidade de ligar o mundo físico à internet e a outras redes de dados tem profundas implicações para a sociedade e a economia”, comenta a chefe-geral da Embrapa.

Vantagens para o homem do campo

No ambiente rural, a Internet das Coisas pode levar a maiores rendimentos agrícolas, menor consumo de insumos por hectare e menor desperdício de alimentos ao longo da cadeia de suprimentos. Um exemplo pode ser, a melhoria da produtividade em relação à aplicação de fertilizante, que pode girar em torno de 10 a 15%. “Se estas tecnologias forem aplicadas em grande escala, pode ajudar a manter o abastecimento agrícola global e manter os preços baixos por um longo período de tempo”, avalia.

Para a Embrapa, a Internet das Coisas será capaz de conectar informações e dados de modo a maximizar os benefícios de todas as outras tecnologias já existentes, e as que estão por vir, o que fortalece a Agricultura Digital.

Tendências

Tendências apontam que o setor agropecuário demandará novas Tecnologia da Informação e Comunicação para gestão de dados, informações e conhecimentos em todas as etapas da cadeia produtiva (pré-produção, produção e pós-produção) em uma nova infraestrutura, onde o mundo físico e digital estão totalmente interconectados. “O setor agropecuário é um campo fértil para testes e adoção de tendências tecnológicas, serviços de TIC, software e hardware (sensores, drones, satélites), principalmente o conceito de Big Data e Analytics e ferramentas de gerenciamento das propriedades rurais”, ressalta a diretora, acrescentando que tecnologias como a Internet das Coisas, permitem monitorar o uso eficiente de recursos naturais (água, solo, clima), também monitorar pragas e doenças; estimar a produtividade automaticamente, controlar o bem-estar e a saúde animal, equipamentos agrícolas em toda cadeia de suprimentos (máquinas, armazéns e logística) e permitir o uso mais eficiente da mão de obra, visando aumentar a qualidade, produtividade e o rendimento agrícola.

Crescimento da Produção do Brasil

A estimativa hoje é que 95% do aumento da produção mundial de alimentos daqui em diante venha de ganhos de produtividade; e tecnologias que auxiliam o agricultor a fazer mais com menos, de modo mais eficiente e com menos custos serão cada vez mais necessárias. Sendo assim, a expectativa é de que, com sistemas avançados de monitoramento, rastreabilidade e controle, seja possível mensurar esse ganho de produtividade e outros indicadores agronômicos e ambientais que garantam a segurança e a sustentabilidade dos alimentos.

Barreiras

Um dos obstáculos enfrentados pela Agricultura 4.0 no Brasil é a comunicação: o sinal de celular no campo. A Embrapa aponta que muitas empresas, multinacionais e startups, têm lançado ou testado suas tecnologias nas regiões Sul e Sudeste, principalmente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, onde a cobertura de celular na zona rural está entre regular e boa. As empresas têm avançado para outros estados como Goiás e Mato Grosso, mas a tecnologia esbarra na questão da conectividade. “Além da banda larga, um grande desafio são as redes de baixa frequência no campo. Também existem várias soluções no mercado que estão sendo testadas no campo”, acrescenta.

Projetos 

Silvia Massruhá conta que hoje, os avanços em pesquisa agropecuária no Brasil incluem projetos multidisciplinares, que envolvem pesquisas na área de Nanotecnologia, Biotecnologia, Tecnologia da Informação e Computação Cognitiva. Neste contexto, existem várias iniciativas no uso do sistema de Internet das Coisas em marcha. “Atualmente, a Embrapa está a frente de projetos que usam drones para monitoramento de pragas, sensores para análise de condição de solo, permitindo o plantio inteligente de sementes e aplicação otimizada de insumos e defensivos agrícolas, sensores para medição dos níveis de água no solo para irrigação inteligente, também projetos para monitoramento de saúde e bem-estar animal”, revela a chefe-geral da Embrapa, pontuando que novos projetos de pesquisa são necessários para medir o quanto estas tecnologias podem melhorar a eficiência dos sistemas de produção animal e vegetal.

Para a Embrapa, a busca pela otimização no uso dos recursos naturais e insumos fará com que a fazenda do futuro seja massivamente monitorada e automatizada. Sensores dispersos por toda a propriedade e interligados à internet gerarão dados em grande volume (Big Data) que necessitarão ser filtrados, armazenados (computação em nuvem) e analisados.

Fonte: Datacenter Dynamics

Comentários

  • Compartilhar

Posts Relacionados

Quem já está na nuvem certa