Software da SAP passa a ser vendido sob marca de terceiros

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Fonte: Valor Econômico Janeiro de 2013

A empresa alemã SAP, fornecedora de sistemas de gestão empresarial (ERP, na sigla em inglês), adotou recentemente no Brasil uma estratégia de mercado já comum entre fabricantes de bens de consumo e eletroeletrônicos, mas pouco usual no setor de software: o desenvolvimento de programas com marcas de outras companhias.

Esse regime é conhecido como OEM (sigla em inglês para fabricante original do equipamento), mas a terminologia, como o nome já diz, se aplica a companhias que fabricam algum tipo de aparelho. No mundo, integram esse grupo empresas como Foxconn, Flextronics, Sanmina e Compal, que fabricam computadores, impressoras, smartphones e outros dispositivos para marcas como Apple, Hewlett-Packard (HP) e Dell.

A primeira investida da SAP sob o novo modelo foi feita na área de softwares que analisam grandes volumes de dados e tendências de mercado, conhecidos como programas de “business analytics” (BA) ou “business intelligence” (BI).

Sandra Vaz, vice-presidente para ecossistema e canais da SAP, disse que a empresa vai oferecer esses softwares com marcas de outras companhias para ganhar escala e reduzir custos. Outra meta é ajudar a fortalecer esse segmento de mercado no país. “O nosso investimento em força de vendas não precisa ser tão alto porque o parceiro faz o esforço de ir ao mercado”, disse Sandra. Outra vantagem, na avaliação da executiva, é que os programas são embarcados nos computadores vendidos pelos parceiros, o que facilita o trabalho de instalação de redes integradas de BI nas empresas.

A expectativa da SAP com essa estratégia é ampliar sua participação no mercado brasileiro de software empresarial, sobretudo no segmento de companhias de pequeno e médio portes, que atualmente têm como principal fornecedor a brasileira Totvs. De acordo com a mais recente pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), a SAP lidera o mercado de softwares de inteligência analítica no país, com 20% de participação, seguida pela Oracle (18%) e a Totvs (16%). Entre as empresas de pequeno e médio portes, no entanto, a Totvs lidera, com 26% de participação, seguida pela Microsoft (12%) e a SAP (10%).

Na avaliação de Sandra, a venda dos equipamentos já com os programas de BI instalados reduzem o custo também para as empresas que são clientes. Com isso, a expectativa da SAP é impulsionar as vendas nesse segmento. De acordo com a executiva, no ano passado as vendas da SAP com marcas de terceiros representaram 20% das vendas totais de sistemas de BI no país. Para este ano, a meta é esse tipo de venda passe a representar 40% do total. A companhia não divulga a estimativa de vendas para o país neste ano.

“É uma iniciativa à frente do que as concorrentes têm feito, mas a oferta conjunta de software com equipamentos com marcas próprias deve vingar como tendência nos próximos anos”, disse Anderson Figueiredo, gerente de pesquisas da consultoria IDC. Além da SAP, concorrentes como IBM e Oracle fizeram uma série de aquisições internacionais ao longo de 2012 para poder oferecer sistemas de gestão mais integrados com equipamentos. “É uma estratégia que já funciona bem na indústria de equipamentos, não há porque dar errado na área de software”, disse o analista. Segundo Figueiredo, a demanda das empresas por programas específicos cresceu e fica difícil manter a liderança em áreas muito especializadas sem parcerias.

No exterior, a SAP desenvolve software no sistema de OEM para Mastercard e Spring Wireless, entre outras parceiras. No Brasil, a companhia fechou acordo com 12 empresas de software e negocia com outras 18. Entre as companhias que passaram a oferecer softwares da SAP com marca própria estão a Corpflex e a SQLTech.

A SQLTech lançou no fim de 2012 um software para gestão e análise de dados de notas fiscais eletrônicas baseado em programas da SAP. Marcio Amorim, sócio-fundador da SQLTech, disse que o programa permite a empresas fazer a implantação em um mês, quando versões anteriores levavam de três a quatro meses. Esse processo inclui investimentos em armazenagem de dados, servidores e outros equipamentos. “Um diferencial é que as empresas não precisam fazer investimentos altos para implantar esses softwares”, disse Amorim. O executivo estima que a empresa tenha encerrado 2012 com receita de R$ 20 milhões. Para 2013, prevê um aumento de 30% a 35% no faturamento com o impulso do novo segmento de mercado.

As vendas serão feitas em parceria com a Corpflex, especializada na oferta de serviços de terceirização de infraestrutura de TI. A companhia fornece a empresas os equipamentos com o software instalado da SAP – sob a marca SQLTech – e infraestrutura de centro de dados, hospedagem e segurança. “A primeira oferta é de software para nota fiscal eletrônica, mas haverá outras voltadas para áreas de marketing, negócios e computação em nuvem”, afirmou João Pimentel, presidente da Corpflex. A expectativa é que a oferta traga para a empresa de 20 a 30 clientes novos por ano.

 

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